evidence-based policies, políticas baseadas em evidências, Publicação RISE

Debates de política pública baseados em evidências  

A segunda reunião plenária da Rede foi realizada em 5 de julho. Durante a reunião, as informações dos grupos de trabalho foram atualizadas e o foco principal da sessão foi o debate aberto sobre ” como uma instância de coleta de conhecimento compartilhado nesta área. 

O encerramento da sessão, com a intenção de acrescentar atores plurais para pensar em segurança, esteve a cargo da empresa De croché títeres, que apresentou uma peça refletindo sobre a situação de violência na Colômbia.

O que há de novo nos grupos de trabalho

  • O site continua a receber um bom fluxo de visitas e novos assinantes são adicionados a cada mês. O blog tem mantido publicações mensais durante os primeiros 6 meses desde a criação da rede e é incentivado a continuar publicando.
  • A decisão do grupo de condução de constituir uma associação como forma legal da Rede foi comunicada.
  • O grupo Prevenção e Juventude explica que seu trabalho será orientado para a prevenção comunitária e para desenvolver um intercâmbio de experiências e boas práticas. – O grupo Police Models trabalhou no projeto do formulário de coleta de dados e experiência. Eles trabalharão primeiro por país e depois sistematizarão as informações globais, com o apoio do grupo de repositório.

A questão dos dados

Foi realizado um painel introdutório com a participação de Daniel Hirata (Brasil), Lucía Camardón (Argentina), Diego Torrente (Espanha) e a moderação de Cecilia Samanes.

Cecilia Samanes expressou a importância de projetar políticas de segurança baseadas em evidências, que transcendem as frases feitas e com uma abordagem prática para influenciar propostas concretas em termos da real prevenção de eventos violentos.

Ele se referiu à estatística como uma ferramenta fundamental para pensar sobre políticas públicas baseadas em evidências. Ele indicou que a “questão” dos dados tem a ver com a necessidade de ter dados reais e de qualidade para poder contar e implementar políticas públicas.

Ele enfatizou a necessidade de completar os dados, que não deve haver um divórcio entre dados estatais e dados alternativos.

O debate centrou-se em:

  • Que informações eles acham que precisam ser construídas?
  • Como construir estas informações?
  • Qual é a relação entre os atores que você representa? (organização social, academia, administração/administração pública).
  • Quais são as estratégias que você pode implementar, a partir de suas esferas de pertencimento, para os tomadores de decisão das políticas públicas?

Diego Torrente explicou que o objetivo de ter dados (e sua análise) é incorporar dados e teoria, evidências, no processo político. Isto implica certos requisitos.

Primeiro, bons dados. Para isso, é preciso se aproximar da realidade, do casuísmo, a fim de tirar lições dos dados. Regularidades são buscadas para detectar as causas subjacentes dos fenômenos (pelo menos sob a forma de hipóteses). A qualidade dos dados que mede o que deveria, ou seja, de fontes regulares, confiáveis, etc.

Segundo, habilidades. Não é apenas uma questão de coleta de dados, mas uma análise é necessária. São necessários conhecimentos específicos: análise de dados, desenho de planos, redes sociais, treinamento, estatísticas, etc.

Terceiro, o apoio político. O significado de “políticas orientadas por dados” é duplo: dados e análise de dados são necessários, mas também ideologias, equilíbrios partidários, etc., que vão além das questões científicas, estão envolvidos. Se as lógicas políticas não são receptivas aos dados e sua análise, é muito difícil realizar estes projetos, precisamente por causa deste “choque de lógicas”.

Quarto, o apoio social. Se a proposta chocar com os interesses dos grupos-alvo ou da população em geral, ela fracassará.

Lucía Camardón explicou que o uso de informações para a tomada de decisões é uma questão pendente para a agenda de segurança e justiça, ao contrário de outras pastas estatais (tais como saúde, economia, etc.).

As forças de segurança tendem a ser governadas pelo “instinto policial” e os políticos pela lógica eleitoral para definir suas estratégias: eles não partem de um sólido conhecimento do problema.

No caso da Argentina, existe uma grande heterogeneidade em termos de informação, devido à sua natureza federal. Além disso, grande parte das informações não está disponível ao público. Duas experiências importantes na padronização de informações são o SNIC (Sistema Nacional de Informação Criminal) e o SNEEP (Sistema Nacional de Estatísticas sobre a Execução de Sentenças).

Há duas áreas principais nas quais as informações contribuem para a geração de políticas públicas. A primeira é uma contribuição para o diagnóstico de certos problemas priorizados. A segunda é sensibilizar (especialmente entre agências de diferentes áreas do Estado) para a necessidade de adotar o modelo de tomada de decisão baseado em evidências. Um outro objetivo poderia ser questionar o modelo punitivista hegemônico.

Como desafios, ele identificou, entre outros, a desarticulação e falta de coordenação entre os atores estatais; a necessidade de padronização, socialização de metodologias e boas práticas no uso de software; rastreabilidade; intercâmbio de informações, crimes de subsistência como o tráfico de drogas, falta de análise a partir de uma perspectiva de gênero, fornecimento de áreas com significativa subnotificação; intercâmbio com ONGs e academia, etc.

E como contribuições do RISE, ele sugeriu contribuir para a cultura de dados abertos; a necessidade de uma visão estratégica com referência cruzada de fontes; a análise de dados abertos baseada no uso de software, e chamando a atenção para a importância de se complementar com dados informais e qualitativos.

Daniel Hirata fez três pontos fundamentais a respeito do uso de dados em segurança no Rio de Janeiro:

A primeira é que no Rio de Janeiro, há pelo menos 10 anos, não existe uma política pública de segurança. Não há diagnósticos baseados em evidências, nenhuma transparência na execução das ações e nenhuma responsabilidade para avaliar os resultados. Portanto, ao invés de “políticas”, deveríamos falar de “ações” de segurança.

Em segundo lugar, ele ressaltou que um dos maiores problemas é a letalidade da ação policial. As operações policiais são parte do problema de segurança no Rio de Janeiro. São ações muito grandes das forças: 100 a 200 homens armados com fuzis, veículos blindados, helicópteros usados como plataformas de tiro, e assim por diante. Há uma alta letalidade policial, mas ela não pode ser medida precisamente porque não há dados ou controle público, apesar de ser este o principal instrumento de ação de segurança no Rio de Janeiro.

Nos últimos 10 anos, a letalidade policial aumentou em 313%, e todos os canais políticos de negociação foram fechados.

Como terceiro elemento, ele destacou a importância da geração de dados e do controle da sociedade civil. Os principais controles foram as submissões legais feitas por atores da sociedade civil para refrear a brutalidade policial. Mais de 45% das mortes no Rio foram causadas pela polícia. Isto motivou uma decisão do juiz Fachin do Supremo Tribunal Federal proibindo operações policiais nas favelas do Rio de Janeiro durante a pandemia (por violação do Preceito Fundamental (ADPF) 635), exceto em casos “absolutamente excepcionais” com aviso prévio ao Ministério Público. E todo o trabalho de dados que foi contribuído para o caso foi produzido pela sociedade civil. Trata-se de dados alternativos, não oficiais, sobre as operações policiais e seus resultados. E eles geraram um debate na imprensa e na sociedade sobre o assunto. No último mês, o acesso aos dados oficiais foi negado, as decisões políticas não são tomadas com base em provas.

O debate deu origem a numerosas intervenções e reflexões em torno de diferentes eixos:

– Como promover a geração de informações em instituições altamente precárias (como as que operam no sistema penitenciário)? Pensando que a matriz de risco criada no norte global não se aplica a instituições precárias, como as prisões.

 – A necessidade de incorporar conhecimentos qualitativos para complementar os conhecimentos quantitativos. E as dificuldades envolvidas em convencer o nível político de sua importância.

– As fontes de dados devem ser variadas, questionando se a polícia é o ator fundamental para produzi-los, pois os objetivos da coleta de dados policiais são diferentes da concepção das políticas públicas. Neste sentido, a importância da participação cidadã e territorial na geração de dados é destacada.

– Questionando a suposta disponibilidade dos dados, bem como enfatizando a importância da sistematização, além da disponibilidade.

Vale a pena refletir sobre o que se entende por “evidência” e como evitar ser condicionado por um (pré)conceito de evidência? Não se trata de dados para seu próprio bem, mas de dados orientados para uma determinada estratégia de ação.

Os dados são uma ferramenta, e sua interpretação e uso devem ser baseados em uma abordagem baseada em direitos, na inclusão social.

Mais do que os dados, o que é importante é o diagnóstico: os fatores que influenciam a geração do problema. Esta é a chave para os tomadores de decisão.

O fechamento: “Marionetes sim, brinquedos de poder não”.

Cosco e Calorina de Croche Marionetes

http://crochetiteres.blogspot.com/

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